O Renascimento Rural e o Resgate da Agricultura Familiar

O Renascimento Rural e o Resgate da Agricultura Familiar

No passado, as terras eram baratas, havia muitos agricultores e famílias numerosas. Isso fazia com que sobrasse gente no campo e as cidades foram atraindo gente para o seu seio. Milhões de famílias se sentiram atraídos pelos
sons, luzes, cores e promessa de felicidade prometidos pelas cidades.

O tempo passou e esse processo migratório, que gerou vários problemas sociais, especialmente nas periferias concentradas e até favelizadas dos grandes centros. A falta de estrutura foi sendo resolvida e a qualidade de vida no campo foi melhorada em muito. Hoje, ser agricultor pode ser chique, especialmente no caso da Agricultura Familiar, como é o exemplo de Santa Catarina, e muitos outros Estados brasileiros

 

“A agricultura é um campo de oportunidades e lugar de promoção da vida.”

     O que ocorreu foi o fenômeno do êxodo rural, uma modalidade de migração caracterizada pelo deslocamento  de uma população da zona rural em direção às cidades, é um fenômeno que ocorreu e ocorre ainda em escala mundial. O Brasil foi afetado duramente  por  uma política agrícola de  concentração das terras e  fraco apoio,  especialmente em algumas etapas da nossa história, aos agricultores familiares.

    O êxodo rural no Brasil desenvolveu-se na segunda metade do século XX e vem perdendo força nos  últimos anos. Conforme dados do IBGE publicados no Portal Mundo Educação, podemos conferir que “entre 2000 e 2010,  a taxa de êxodo rural foi de  17,6%,  um número bem menor do que o da década anterior: 25,1%.  Na  década de 1980,  essa taxa era de 26,42% e, na década de 1970, era de 30,02%. Portanto, notase claramente a tendência de desaceleração”.

Vemos que em  ao campo tudo foi   mudando de maneira   desordenada, de modo que o   que   parecia a realização de um sonho está se tornando, cada vez mais, numa ilusão,  um projeto irrealizado. Os  mais  prejudicados, entendo, passaram a ser os jovens, hoje com mais formação do que os jovens do passado, porém mais desempregados.

O rural não é mais  apenas  produtor  agropecuário,  passando a  agregar  valor a  bens que  até então não eram de consumo. Neste contexto, o meio rural transforma-se, através da verticalização da produção (indústria rural) em um espaço cada vez mais heterogêneo e diversificado, porém, a juventude é a faixa etária mais afetada por essa dinâmica de diluição das fronteiras entre os  espaços  rurais e  urbanos,  associada,  também,  à falta de  perspectivas  para que vivam da agricultura.

A Agricultura Familiar, setor da agricultura em que os gerentes ou administradores dos estabelecimentos rurais são  também os  próprios  trabalhadores  rurais,  tem  fundamental  importância  para o  renascimento  do rural.  A importância  econômica e social é elevada,  pois contempla o maior número de produtores,  como é o caso de Santa Catarina,  que com apenas  1,3%  do território nacional se posiciona entre os dez  maiores produtores nacionais  de alimentos.

Não há um setor na economia brasileira que faça tanto bem às nossas mesas.

O renascimento rural, seu modo de produzir, sua cultura e modo de vida são fundamentais para o desenvolvimento
rural sustentável,  fixando o homem à terra e  evitando ainda mais os problemas da  cidade. Notamos, cada vez mais, pessoas interessadas em atividades rurais, aquisição de sítios, adoção de técnicas, mas, sobretudo, o interesse pela
produção orgânica de alimentos, o fortalecimento de cooperativas e a busca da vida de qualidade no campo. Isso
vai fazer renascer o rural e fortalecerá a agricultura familiar.

A  falta  de  políticas  públicas  de  assistência  técnica,  projetos  de geração  de renda,  motivação,  acesso à terra e valorização do homem do campo sempre foram sentidos por quem vivia e trabalhava na zona rural. Vale lembrar que ser  chamado  de  colono  era  um  tanto  pejorativo,  quase bullying.  Eu mesmo,  como filho  de  colonos agricultores familiares, muito fui chacoteado na escola da cidade por ser um “coloninho”.

Na atualidade, tudo  está  muito  mais  favorável  para  se  morar  e  empreender  no  campo,  as  terras  estão  mais valorizadas  (e  também  sofrendo  exploração  imobiliária),  porém  carecendo  ainda  de  capacitação  para  gestão  e desenvolvimento (sustentável, social e econômico)  do seu espaço,  de  modo  que  contemple  especialmente  aqueles que mais produzem para a mesa, ou seja, os agricultores familiares.

Há muito mais ainda a se dizer, pois, se o campo não planta, a cidade não janta, e quem planta e cria tem que ter mais alegria. E isso se faz com o renascimento do rural e o fortalecimento da agricultura familiar.

 

 

Sobre o autor

Ainor Francisco Lotério

     Palestrante, Instrutor e escritor. É graduado em Engenharia Agronômica (UDESC) e pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior (UNIVALI); Gerenciamento de Marketing (FURB); Psicopedagogia (FURB/INPG); Comunicação e Extensão (ACARESC). É Mestre em Gestão de Políticas Públicas/Instituições, cultura e sustentabilidade (UNIVALI). É Personal & Professional Coaching (SBC) e Bacharel em Teologia. Tem larga experiência nas áreas de Gestão Pública (Prefeito de Camboriú – SC e Diretor Estadual da Epagri – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Ruralde SC), educação (professor secundarista e universitário), Instrutor no Cooperativismo, Agricultura familiar e Agronegócio, liderança, comunicação, família, longevidade humana, juventude, entre outros.

 

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