Bom, limpo e justo - Sumá

Bom, limpo e justo

Bom, limpo e justo

O Slow Food foi fundado em 1986 em contraponto ao fast food. A motivação inicial foi a abertura de um McDonalds na Piazza di Spagna, tradicional ponto turístico e histórico de Roma. Carlo Petrini, um dos fundadores e atual presidente do Slow Food visitou em novembro no ano passado o Brasil para divulgar o lançamento da primeira edição brasileira do livro Arca do Gosto, um catálogo que preserva sabores quase esquecidos mas com potencial produtivo em comunidades específicas. Nossa equipe esteve presente e foi bastante emocionante acompanhar a lucidez, clareza e paixão com que fala sobre o lema da associação: bom, limpo e justo.

Carlo Petrini em Seminário na Alesc em sua passagem por Florianópolis em novembro de 2017, com o livro da Arca do Gosto brasileira. Foto: Karina Ferreira/Agência AL, 2017.

 

Neste mês tivemos a oportunidade de participar novamente de um evento promovido pelo Slow Food Brasil, o Seminário de Construção de Mercados para Alimentos Bons, Limpos e Justos na Região Sul.

O Prof. Dr. Oscar Rover responsável pelo Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF) do Centro de Ciências Agrárias da UFSC, a Diretora de Programa e Relações Institucionais para América Latina e Caribe do Slow Food Valentina Bianco e o Diretor-Presidente do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (CEPAGRO) Eduardo Rocha abriram o evento ressaltando o significado de optar por um alimento agroecológico e o impacto positivo na cadeia de produção dessa escolha. O objetivo do Seminário foi construir oportunidades de comercialização para os produtos das Fortalezas e Comunidades do Alimento da região Sul:

  • Fortaleza do Pinhão da Serra Catarinense
  • Fortaleza do Butiá do Litoral Catarinense
  • Fortaleza dos Engenhos de Farinha Fina de Santa Catarina
  • Fortaleza do Queijo Colonial de Leite Cru de Seara
  • Comunidade do Alimento dos Produtores de Queijo Diamante de Santa Catarina

 

Seu Nélio, produtor da Comunidade do Alimento do Queijo Diamante de Major Gercino, Santa Catarina. Foto: Divulgação Cepagro, 2018.

 

O evento contou com dinâmicas para a construção do conceito de alimento bom, limpo e justo; apresentação das características socioculturais e potencial produtivo das Fortalezas e Comunidade do Alimento; mesa redonda com iniciativas de grupos de consumo e Estação dos Sabores com apresentação dos produtos, degustação e feedback para os produtores. O segundo dia do evento contemplou os encaminhamentos necessários para comercializar as produções, sendo que a aproximação entre consumidores e produtores por meio de feiras, células de consumo, cestas agroecológicas, foram citadas como boas ações para esse fim. O Sumá atua complementando tais projetos ao trabalhar conectando quem planta com quem compra alimentos de forma regular, como restaurantes.

Como cidadã, no início de 2017 eu me associei ao Slow Food Brasil. Infelizmente, em Balneário Camboriú não há um Convívio (grupo local do Slow Food), então eu conheço as ações do restante do Brasil por meio da lista de e-mails que é muito rica e repleta de pessoas incríveis. Naquele grupo é possível notar como o alimento tem poder e força através de sua história que resiste ao tempo. O Sumá e meu propósito já me levaram a conhecer pessoas com vidas tão diferentes e ao mesmo tempo unidas pela vontade de produzir alimentos com saúde e equilíbrio e se alimentar com comida de verdade. Então, vamos seguir construindo caminhos que possam prover acesso legalizado a esses produtos incríveis das Fortalezas e Comunidades, que ainda sofrem com restrições da vigilância sanitária, necessitam de formatação de mercado para um maior conhecimento sobre aproveitamento integral por parte dos consumidores, e principalmente conservar nosso patrimônio sociocultural.

Um abraço,

Daiana Censi Leripio — Coord. Operacional do Sumá

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